Father and Daughter

Loading...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

A ameixa encantada



A noite passada foi linda...
Uma paciente, 42 anos, câncer em estágio terminal, fez um pedido para uma técnica de enfermagem: uma ameixa. Seus olhos brilhavam quando sussurrou : - Ameixa. Amarela, vermelha, tanto faz...
21:40, o supermercado mais próximo fechava as 22 hs.
Chamamos o segurança, ele estava sozinho, não podia deixar o seu posto. Nós também não.
A enfermeira teve uma idéia: uma familiar da paciente de outro quarto!!
Sim, foi a irmã da Dona Gema que sabendo do que se tratava se ofereceu prontamente, mas só com uma condição: não iria sozinha... não era da cidade, tinha medo...
O tempo estava passando...
Corremos para achar outra acompanhante de outra paciente!! Achamos!! A mobilização pela ameixa era a coisa mais linda que tinha visto nos últimos tempos...
Pronto! A familiar da paciente de outro quarto falou:  -Já estou indo!!! Só me dêem um minuto para calçar as botas!!
21:50.
Lá se foram as duas.
22:05. As ameixas mais esperadas da  noite chegaram a seu destino.
Vi uma menina de 42 anos comendo vorazmente a ameixa. Parecia lembrar algum momento bonito, de algum tempo que já se fora de sua vida, encontrado naquele prazeroso minuto que proporcionamos a ela.
Lindo, lindo,lindo.
Trabalhar com a morte também é encontrar o amor.

4 comentários:

Augusto Bier disse...

Lembrei dum episódio atribuído a Ahmed Ibn Sina, um médico árabe da alta Idade Média, que caminhava com seus discípulos entre os doentes de uma espécie de hospital. Entre os pacientes, reconheceu um para o qual havia dado alta. Perguntou porque ele não tinha ido embora e o homem, de aspecto muito abatido, disse que continuava se sentino mal. O médico, então, percebeu que seu prato de alimento não havia sido tocado. Aí indagou de onde o homem vinha. Este retrucou que era do norte, longe dali. O médico imediatamente receitou tâmaras, que o paciente comeu com sofreguidão. Em pouco tempo estava voltando para casa, um oásis cercado de tamarindos. Ahmed percebeu que o homem estava doente de saudades.

orlando disse...

Foi forte.

FERNANDO WOLF disse...

The Physician...muito bem lembrado! Médico de homens e de almas!!

Edith Janete disse...

A ameixa fez tão bem que ela conseguiu ter alta para morrer em casa.Com certeza lembrava algum momento bonito perdido em algum lugar,momento de sua vida, a cena dela comendo nunca mais sairá de meu pensamento,foi forte e linda. Nessas histórias onde a sombra morte ronda o sujeito, momentos de amor tornam o fim mais bonito.